O mito do presidente dos pobres

Há tempos Lula deixou de estar solidarizado aos mais carentes

Mitos existem para que histórias sejam contadas, invenções tidas como verdadeiras, personagens conhecidos e heróis forjados. Na política não é diferente. Os mitos fazem parte da construção da identidade política, e alguns extrapolam os limites da “Terra plana”, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se autodenominava o Mito.

Com o presidente Lula não é diferente: ele forjou a sua própria mitologia, não poupando esforços, ao longo da carreira política, para construir a sua identidade mitológica.

De uma criança nascida na miséria, à beira do colapso da vida – como foi retratada em homenagem realizada pela rebaixada escola de samba Acadêmicos de Niterói –, a presidente da República, a história de vida de Lula é, no mínimo, digna de ser retratada em obra cinematográfica. Porém, o fato de o presidente ter nascido em uma situação de extrema pobreza não significa que, aos 80 anos de idade, ainda mantenha qualquer vínculo afetivo com a sua origem ou esteja, de fato, solidarizado aos mais carentes, como insiste em comunicar em seus discursos.

Tal percepção foi verificada em 2018, não por um bolsonarista, mas pelo rapper Mano Brown: “Se nós somos o Partido dos Trabalhadores, o partido do povo tem que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta para a base e vai procurar saber”. Afinal, de lá para cá, a empregada não vai mais à Disney, o filho do servente não deseja mais a universidade, e a promessa da picanha ficou apenas no discurso de campanha.

Com o fracasso do arcabouço fiscal, proposto no início do governo Lula 3, verbas para educação e saúde foram cortadas. Tendo que administrar um caixa em baixa, resolveu taxar as blusinhas (entenda-se: taxar o pobre). O governo não tem intenções de cortar gastos, encerrar empresas deficitárias – como os Correios – nem realizar uma reforma administrativa. Em vez disso, opta por aumentar impostos. Quem paga a conta, não nos enganemos, são os pobres.

Ao passo que os imigrantes venezuelanos sofriam horrores com a pobreza extrema, o presidente Lula zombava de sua situação precária ao estender o tapete vermelho para recepcionar o ditador daquele país. Sequer foi competente para admitir a comprovada fraude eleitoral na Venezuela.

Enquanto suposta liderança geopolítica, Lula nada pôde fazer para conter a destruição provocada pela Rússia na Ucrânia ou para mediar a paz no Oriente Médio. Não fosse a atuação profissional da diplomacia brasileira, estaríamos em maus lençóis com as taxações dos Estados Unidos.

Talvez os seus infindáveis diplomas de doutor honoris causa sirvam para alguma coisa fora da política.

Lula da Silva instiga a briga contra a elite econômica do país, elite da qual ele próprio faz parte. Diferentemente do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, que – segundo os seus opositores – foi o único e verdadeiro comunista, por viver de modo simples em sua fazenda, dirigindo o seu Fusca, plantando e colhendo a própria comida.

Ao contrário, Lula está mais acostumado a camas esplêndidas. Por isso, o povo deve se acostumar a enxergá-lo como mais um oligarca no poder, trabalhando continuamente para que os seus eleitores continuem a acreditar em suas fantásticas narrativas, dignas de uma autêntica mitologia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *