É incrível o que acontece no Brasil

Politicamente falando, temos a sensação de que no Brasil toda semana é uma semana decisiva para alguma coisa. E isso estressa qualquer um que deseja, apenas, viver uma vida normal e com um pouco de previsibilidade. Hoje começa o julgamento no STF para decidir se Daniel Vorcaro será mantido ou não na prisão. Não tenha dúvidas, caro leitor, por infinitamente menos, você e eu – e a Débora do batom – permaneceríamos presos por uma eternidade.
Se pararmos para refletir um pouco a respeito de tudo o que está acontecendo no Brasil, sentimentos como revolta, decepção e frustração dominarão nosso interior. Quem paga boleto, quem vende almoço para poder jantar, quem acorda às 04h para pegar ônibus, quem contempla diariamente a inflação corroer suas economias não tem muito tempo para filosofar a respeito das melhores soluções para o Brasil.
Para isso existem os cargos eletivos. E pessoas são eleitas para cuidar dos nossos interesses. E isso se chama democracia representativa e existe porque você e eu não podemos resolver os problemas do mundo. E para evitar que aquelas pessoas, eleitas, corrompam o sistema, existem leis e códigos de ética para disciplinar o exercício do cargo.
E o STF não possui código de ética por um simples motivo: quem imaginaria que os arautos da justiça precisariam ser ensinados a respeito do que é moralmente correto? Todavia, as recentes pesquisas de intenção de voto mostram que o eleitorado brasileiro está disposto a votar em candidatos favoráveis ao impeachment de ministros do STF.
O brasileiro normal (aquele lá que paga os boletos de Brasília) está de saco cheio dessa gente que se diz defensora da democracia, mas que interpreta qualquer crítica pessoal como um atentado às Instituições, manda prender e fazer busca em casa de jornalista e inclui no eterno inquérito das fake news qualquer um que se diz contrário às suas decisões monocráticas.
Esse ambiente de desgaste institucional começa a produzir reflexos eleitorais. Flávio Bolsonaro já desponta como favorito no eleitorado independente. Há quem questione: “não é possível que o brasileiro vai eleger novamente um Bolsonaro”. Sinceramente é muito fácil culpar o povo, mas a realidade é que a escolha popular é um reflexo de sua decepção com o modus operandi da atual conjuntura.
A culpa é, finalmente, das suas excelências, aquelas que hoje se opõem e se levantam contra tudo o que lhes incomoda, a ponto de assentar-se no santuário do serviço público, apresentando-se como se fossem o próprio Deus. Presidência, Câmara, Senado, STF, Procuradoria Geral da União, enfim, parece que toda Instituição que foi criada para proteger e agir em prol dos interesses coletivos da nação está, atualmente, a serviço dos interesses de quem as preside.
Enquanto lutamos por míseros mil ou dois mil reais a mais em nossa conta, os caras acumulam milhões. São insaciáveis, gananciosos, predadores. Como o próprio ministro Dias Toffoli confessou: “Vários magistrados são fazendeiros, são donos de empresas, e eles, não excedendo a administração, têm todo o direito aos seus dividendos”.
Imagino, eu, a sua cara de perplexidade ao ouvir a fala da juíza Cláudia Márcia de Carvalho Soares: “juiz de primeiro grau não tem carro, paga do seu próprio bolso o combustível. Não tem apartamento funcional, plano de saúde, refeitório. Não tem água e não tem café […] No primeiro grau não tem, nós pagamos”.
Dá até pena da juíza, que em dezembro de 2025 recebeu líquido R$ 113.808,83.

