É bom que tenhamos memória – parte 2

Lula, como opção a Bolsonaro, é farinha do mesmo saco

Esta coluna não é escrita por um jornalista, mas por um cidadão comum, que, como qualquer outro rapaz latinoamericano (sem dinheiro no banco, sem parentes importante e vindo do interior – ou do litoral), paga boletos. Alguém que contempla, perplexo, o mau uso do recurso público em meio à fortuna arrecadatória de impostos e que, no dia a dia, tem a impressão de que em nada somos retribuídos pelo poder público em benefício da qualidade de vida.

Pois bem, escrevo não com viés de direita ou de esquerda – já superei isso há tempos. Escrevo com o sentimento decepcionado de alguém que há 30 anos espera pelo “País do Futuro”. Digo isso porque, neste cenário de polarização, é justo que uma avaliação a respeito da alternativa oposicionista a Bolsonaro, ou seja, o presidente Lula, seja realizada a fim de julgarmos se o atual mandatário é uma opção desejável.

O presidente Lula foi eleito em 2022 acreditando que o cenário político era o mesmo de 2002. Pensava que poderia manejar o Congresso por meio da concessão de mesadas parlamentares (o Mensalão), como fez na época. Ao se deparar com um Congresso empoderado, dominando uma importante fatia do orçamento do Executivo, percebeu tardiamente que o seu governo estava em risco de inépcia. 

O presidente, logo no início do seu terceiro mandato, decidiu endividar ainda mais o Estado brasileiro ao propor a “PEC da transição”, acreditando que iria colher frutos na economia. Todavia, diferentemente de 2002 – quando o Brasil se beneficiou com o boom das commodities –, o país não mais conseguia competir com os mercados internacionais, dominados em parte pela China. Resultado: gastou o que não podia, não obteve o retorno esperado, contraiu uma imensa dívida indesejada e recebeu de brinde uma inflação amarga.

Somente no início de 2025 a ficha caiu: o brasileiro estava deixando todo o seu dinheiro no supermercado; vendendo o almoço para comprar o jantar. Em seu governo (sem pandemia) a inflação dos alimentos foi às nuvens e o dólar chegou ao absurdo de R$ 6,30. Sua popularidade despencou como nunca antes e o risco Brasil aumentou. 

Ainda pensando que estava em 2002, saiu Brasil afora, subindo em palanques eleitorais, declarando: “o Brasil não vai se curvar ao imperialismo americano”. Na contramão da loucura lulista, as maiores potências do mundo, inclusive a China, sentavam-se para conversar com Trump porque entendiam que este gesto, apesar de humilhante, era necessário, em benefício das nações as quais representavam. Lula preferiu dobrar a aposta.

O presidente insistiu no discurso: “vamos defender a soberania nacional”. Nossas fronteiras estão arregaçadas ao tráfico de drogas internacional; a bandidagem avança sobre as ruas; o PCC está infiltrado nos principais setores produtivos do Estado; o tão prometido crescimento econômico anunciado por Haddad nunca chegou. De que adianta defender uma soberania fantasiosa, que é inviabilizada não por Trump, mas pelos nosso próprios problemas domésticos?

Em certa ocasião, especificamente no dia 26 de janeiro de 2022, em entrevista à CBN Vale 1ª Edição, o presidente Lula chegou a dizer: “o ideal seria que o PT pudesse eleger todos os deputados. Não vai acontecer”. Apesar de admitir a impossibilidade do seu desejo, Lula deixou bem claro sua eterna intenção: governar o Brasil sem oposição. Era o que Bolsonaro queria também ao deixar entender, em vários dos seus discursos, que sonhava em extinguir a esquerda.

O proposto oposicionista ao bolsonarismo em 2026 parou no tempo em 2002. Insiste na mesma danosa política do “nós-contra-eles” e chama de fascista ou nazista qualquer um que não seja da sua turma de extrema esquerda. Lula e Bolsonaro, farinhas de um mesmo saco, com temperos de autoritarismo. Se para o bem do Brasil seria bom que as pretensões políticas de Bolsonaro fossem encerradas, melhor ainda seria se, concomitantemente, Lula e sua forma antiquada de enxergar a política e os desafios contemporâneos brasileiros fossem esquecidos de vez.

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