Caso Master: todo mundo junto e misturado

Se fosse uma espécie de festa, a galera teria comparecido em peso

Não basta o mundo estar em guerra, Trump sem saber o que vai fazer da vida, Cuba sem energia (sem nada, na verdade) enfrentando a maior crise desde a revolução de 1959, a Ucrânia continuando a ser bombardeada pelo autoritário Putin, Virgínia decidindo se viaja com os filhos para ver a possível decepção da seleção brasileira na Copa. Só por isso já teríamos confusão demais neste planeta. 

Mas o Brasil é Brasil e os nossos políticos precisam dar a sua contribuição para o caos generalizado. O caso do banco Master ganha, a cada dia, contornos mais sombrios para as instituições da República, pondo em xeque a credibilidade dos agentes políticos e colocando o país em um caminho de incerteza jamais visto.

Sempre faço questão de lembrar: quando tem confusão política ou geopolítica, somos nós que pagamos a conta. Trump bombardeia o Irã, a nossa gasolina estoura.

Voltando ao colapso do Master, até agora – dentre as informações que já se tornaram públicas – há a suspeita de que tenham recebido, de forma direta ou indireta, valores milionários do banco: o escritório de advocacia da esposa de Xandão (contrato de R$ 129 milhões), o governador de Goiás Ibaneis Rocha (R$ 38 milhões – também honorários de advocacia), o portal Metrópoles (R$ 27 milhões), a empresa de publicidade da família de Ratinho (R$ 24 milhões).

Continuando, a consultoria econômica de Henrique Meirelles (contrato de até R$ 18,5 milhões), a empresa de projetos do ex-governador de Goiás Marconi Perillo (R$ 14 milhões), a empresa de consultoria de Guido Mantega (R$ 14 milhões), a empresa ligada a Jaques Wagner (R$ 12 milhões), o escritório de advocacia (mais um) de Michel Temer (R$ 10 milhões), a empresa de publicidade de Léo Dias (R$ 9,9 milhões).

Anitta, até agora, parece não ter recebido nada, somente o Léo.

Continuando, mais um escritório de advocacia, agora o de Ricardo Lewandowski (R$ 5,9 milhões), a empresa de comunicação e publicidade de Fabio Wajngarten, o ex-secretário de Bolsonaro, (R$ 3,8 milhões), o ex-presidente Jair Bolsonaro, como doação de campanha (R$ 3 milhões), o filho do ministro do STF Kássio Nunes Marques (R$ 281 mil).

Continuando… 

É sério, continuando… supostamente receberam entre R$ 200 mil e R$ 2 milhões integrantes de uma lista de influenciadores digitais com o intuito de defender o banco Master e atacar o Banco Central. Alguns outros atores políticos estão sob investigação, como é o caso de Arthur Lira, Aguinaldo Ribeiro, Hugo Motta, Nikolas Ferreira e Rodrigo Maia.

Claro, tudo ainda está no campo das suspeitas, mas algumas certezas podemos ter: 1) eu, e provavelmente você, não recebemos nada, 2) Daniel Vorcaro não é de direita nem de esquerda, ele é de quem tem poder e de quem pode beneficiá-lo e 3) o caso Master poderia receber o título de “todo mundo junto e misturado”.

Se o caso Master fosse uma espécie de festa de São João, teria sido um sucesso porque a galera teria comparecido em peso. Imagine, agora, se o TSE adicionasse o seguinte critério para poder se candidatar: não ter tido nenhum vínculo ou não ter recebido dinheiro do banco Master. Quem estaria apto a concorrer às eleições?

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