Lula e Bolsonaro: os traidores da pátria

Quem sequestrou a diplomacia e a paciência do Brasil

Por Eurípedes França

Inflação, violência, insegurança, supermercado, boletos, saúde, gasolina… Em verdade, em verdade, são esses os assuntos que consomem a mente e o bolso do brasileiro. A despeito de todo o imbróglio político no país, para o cidadão comum, aquele que trabalha e paga contas, que pega ônibus, que se beneficia do SUS… o que importa é saber se o seu dinheiro vai acabar antes que os trinta dias terminem.

Este primeiro parágrafo bem poderia ser a conclusão deste artigo. Mas, tratando de política e introduzindo o debate proposto no título, após uma séria desaprovação histórica aferida pelos institutos de pesquisa, o presidente Lula finalmente tem colhido opiniões mais favoráveis. Isso porque seu opositor, o ex-presidente Jair Bolsonaro, decidiu, há alguns dias, que era importante apoiar o presidente Trump em seus devaneios tarifários. De fato, Bolsonaro veio a público tentar convencer o brasileiro — estrangulado pela inflação e farto do palanque político demagógico deste país — de que seria bom aceitar pagar mais caro pelos bens de consumo.

Bolsonaro ou Lula… Lula ou Bolsonaro. Quem poderá nos salvar? Penso comigo: por que não o Chapolin Colorado em vez desses? Descontração à parte, não nos iludamos: nem Lula, nem Bolsonaro. O que esperar desses traidores da pátria? Como assim, traidores?

Deixe-me ilustrar. Imagine que o Brasil está em guerra contra a Trumpilândia, um país fictício. Então, Girico, um brasileiro, começa a divulgar que apoia o país inimigo. A Trumpilândia lança mísseis contra o Brasil e mata inúmeras famílias brasileiras, que nada têm a ver com o conflito. Girico vai às redes sociais e declara estar muito feliz com a ofensiva inimiga. Afirma que a morte dessas famílias foi necessária e se propõe, caso o Brasil permita, a negociar o fim da guerra com seu amigo, o líder da Trumpilândia. Interpretação: o Brasil está em guerra comercial com os Estados Unidos, e isso afeta a vida da população. Portanto, qualquer intento de Bolsonaro em defender a ofensiva estadunidense só pode ser compreendido como traição.

Agora, imagine outra situação: Girico está em um acampamento, cercado por uma forte proteção. Nesse acampamento há crianças, idosos, pessoas com deficiência, famílias inteiras que tentam viver suas vidas normalmente, a despeito dos leões famintos do lado de fora. Somente Girico possui a chave dos portões que protegem o local. Além disso, Girico se proclama líder do acampamento e diz conhecer o que é melhor para todos. Criou até um lema: “Em Defesa do Acampamento”. Certo dia, Girico, com o ego maior que o Everest, decide demonstrar — não se sabe a quem, onde, quando ou por quê — que tem domínio sobre a tensa situação. Abre, irresponsavelmente, os portões e deixa os leões entrarem, resultando em uma calamidade humanitária. Interpretação: Lula feriu os históricos e sólidos portões da diplomacia brasileira ao convidar o leão estadunidense a voltar sua fúria (antes destinada à China e à Rússia) contra os brasileiros, já massacrados pela carestia das prateleiras. Traição.

Não devemos nos iludir quanto às tentativas do atual e do ex-presidente de trazer paz política e comercial ao Brasil. Tampouco importam as sanções aprovadas pelo Brasil contra os Estados Unidos — seria o mesmo que Girico tentar revidar a agressão dos leões dando mordidas no animal. Neste momento, o que realmente importa é que os adultos da diplomacia entrem em cena e ocupem as cadeiras do diálogo, até então ocupadas pelos malas da política, que apenas provocam ruídos para se promover nas redes sociais e alimentar suas bases alienadas. Mais uma coisa: tais demiurgos, ou traidores, não sabem quanto custa o feijão.

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